MP investiga supostos crimes em empreendimento imobiliário em Canarana

Prejuízo pode ultrapassar R$ 25 milhões em caso que envolve disputa entre empresas e apurações por apropriação indébita, estelionato e falsidade ideológica


O Ministério Público do Estado de Mato Grosso requisitou a instauração de inquérito policial para apurar uma série de supostos crimes relacionados a um empreendimento imobiliário localizado no município de Canarana.

A investigação tramita no núcleo de Justiça do juiz das garantias, com sede em Barra do Garças, e teve origem a partir de uma representação criminal apresentada pelos sócios da Dunck Participações Limitada contra os empresários Fausto Richard Escher, Maico Felipe Escher e Mikael Roger Escher, ligados à Escher Empreendimentos Limitada.

O caso envolve o loteamento denominado “Morada do Vale”, onde, segundo a denúncia, existia desde 2016 um contrato de parceria entre as empresas para o desenvolvimento do empreendimento. O acordo previa divisão de lucros e a criação de uma sociedade de propósito específico (SPE), garantindo à família Dunck 41,89% dos créditos das vendas, além de 171 lotes exclusivos.

De acordo com a representação, os investigados teriam adotado práticas irregulares, como a constituição da SPE sem a participação da empresa parceira, venda e cessão de créditos sem autorização, descumprimento contratual, ocultação de documentos e até desobediência a ordens judiciais. Também há suspeitas de apropriação de valores oriundos das vendas sem o devido repasse desde junho de 2023.

Os prejuízos diretos apontados superam R$ 6 milhões em repasses não realizados, além de aproximadamente R$ 20 milhões em valores securitizados, podendo ultrapassar R$ 25 milhões ao final das apurações.

Segundo parecer da promotora de Justiça Carla Marques Salatti, há indícios mínimos de materialidade e autoria que justificam a abertura de investigação, incluindo possíveis crimes de apropriação indébita qualificada, estelionato e falsidade ideológica.

Diante da gravidade do caso, o Ministério Público determinou o encaminhamento à Polícia Civil de Mato Grosso, que ficará responsável pela condução do inquérito.

Paralelamente, a Dunck Participações também ingressou com ações judiciais, incluindo pedido de suspensão das vendas dos lotes, bloqueio de valores e rescisão contratual. Um dos sócios da empresa, Ernesto Dunck, afirmou que a Justiça já impôs multa por descumprimento de ordens judiciais relacionadas ao caso.

As investigações seguem em andamento.

Redação: Hedianne Dutra | Reportagem: Dirceu Luiz Egewarth | TV Nova MT

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