Alta do dólar e juros elevados aumentam preocupação com o crédito rural na safra 2026/27

Valorização da moeda americana pode encarecer fertilizantes, máquinas e defensivos, enquanto produtores enfrentam maior seletividade na liberação de financiamentos; consultoria anuncia linhas de crédito com taxas a partir de 3% ao ano, sujeitas à aná

O cenário econômico brasileiro acende um alerta para os produtores rurais que planejam financiar a safra 2026/27 ou realizar novos investimentos no campo. A valorização do dólar e a manutenção de juros elevados podem aumentar os custos de produção e dificultar o acesso ao crédito, especialmente para quem depende de financiamentos para adquirir insumos, máquinas e ampliar a estrutura da propriedade.

Na quinta-feira (29), o dólar fechou com cotação oficial de venda de R$ 5,3744, segundo dados do Banco Central. No dia anterior, a moeda havia encerrado a R$ 5,3420. A oscilação cambial reforça a preocupação do setor agropecuário, que possui forte dependência de produtos e componentes com preços influenciados pelo mercado internacional.

Crédito rural apresenta retração em diferentes regiões

A dificuldade de acesso aos financiamentos já aparece em levantamentos realizados por entidades do agronegócio. Em São Paulo, os desembolsos de crédito rural somaram R$ 5,8 bilhões entre julho e setembro de 2026, uma redução de 41,9% em comparação com o mesmo período da safra anterior. O número de contratos também caiu 37,6%. Os dados foram divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

Em Mato Grosso do Sul, o levantamento da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS) apontou queda de 20,2% nas contratações de crédito rural durante a safra 2025/26, que totalizaram R$ 14,9 bilhões.

A situação também se refletiu no início do ciclo 2026/27. Entre julho e setembro, as contratações recuaram 29% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O estudo ainda identificou que o custo estimado para produzir um hectare de soja no estado chegou a R$ 5.024,82, evidenciando a necessidade de capital para manter a atividade.

Plano Safra disponibiliza R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial

Apesar das dificuldades de contratação, o Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial. Desse total, R$ 384,9 bilhões são destinados ao custeio e à comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões ficam disponíveis para investimentos.

Entre as condições divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária estão taxas de juros de 9% ao ano para o custeio de produtores enquadrados no Pronamp. Já as linhas de investimento apresentam taxas que variam de 8,5% a 12,5% ao ano, conforme o programa e a finalidade do financiamento.

O plano também contempla recursos para modernização das propriedades, aquisição de máquinas, irrigação, armazenagem e adoção de tecnologias sustentáveis.

Outro fator importante é a taxa básica de juros da economia. Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu a Selic para 13,75% ao ano. Mesmo com a redução, o patamar continua elevado e pode influenciar o custo das operações de crédito que não contam com condições subsidiadas.

Consultoria anuncia financiamentos com taxas a partir de 3% ao ano

Diante desse cenário, a ConsulttAgro, consultoria financeira especializada no agronegócio, apresenta alternativas de financiamento com taxas anunciadas a partir de 3% ao ano e prazos que podem chegar a 15 anos.

Segundo informações divulgadas pela empresa ao portal Compre Rural, já foram intermediados mais de R$ 700 milhões em operações de crédito rural.

A consultoria trabalha com a estruturação de financiamentos para agricultores, pecuaristas e empresários do setor, contemplando projetos de aquisição de propriedades, compra de máquinas, ampliação da produção, irrigação e infraestrutura rural.

As condições, entretanto, dependem da modalidade de crédito, das garantias apresentadas, do perfil financeiro do interessado e da aprovação da operação. Portanto, a taxa inicial anunciada não representa uma condição automaticamente disponível para todos os produtores.

Planejamento financeiro ganha importância para a próxima safra

Com a combinação de custos elevados, oscilações cambiais e maior seletividade na concessão de financiamentos, especialistas do setor reforçam a importância de avaliar cuidadosamente as condições de crédito antes de assumir novos compromissos.

Para o produtor rural, comparar taxas de juros, prazos de pagamento, garantias exigidas e encargos adicionais pode fazer diferença no resultado financeiro da propriedade.

O desafio para a safra 2026/27 será garantir recursos suficientes para manter a produção e realizar investimentos sem comprometer o equilíbrio financeiro da atividade agropecuária.


Redação: Hedianne Dutra | Banco Central, Ministério da Agricultura | Liberdade FM

Comentários