Risco de alta do diesel pode elevar custos da safra 2026/27

Combustível é essencial para máquinas agrícolas e transporte da produção; estudo aponta possibilidade de reajuste, mas não há aumento confirmado pela Petrobras.

O preço do diesel voltou a preocupar o agronegócio brasileiro após uma análise do banco Goldman Sachs apontar o risco de um reajuste de aproximadamente 50% no valor cobrado pela Petrobras às distribuidoras. A estimativa considera um cenário de mudanças nos subsídios ao combustível e diferenças entre os preços praticados no mercado interno e as referências internacionais. O aumento, porém, não foi anunciado pela estatal e não significa que o consumidor pagará 50% a mais nos postos.

Segundo o estudo, divulgado em 22 de outubro, uma alta dessa magnitude no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras poderia resultar em um aumento próximo de 20% nas bombas. O banco, entretanto, considera em seu cenário principal que os preços praticados pela estatal permanecerão estáveis até o fim de 2026, embora reconheça a possibilidade de mudanças diante das incertezas relacionadas aos incentivos governamentais e ao mercado internacional.

Nos cálculos apresentados pelos analistas, o diesel comercializado pela Petrobras, considerando o subsídio, estava em R$ 5,43 por litro, enquanto a referência de paridade de importação se aproximava de R$ 6,89. A diferença levou à estimativa de que seria necessário um aumento de aproximadamente R$ 1,50 por litro, equivalente a cerca de 50% no preço cobrado pela estatal às distribuidoras, para alcançar a referência internacional considerada no levantamento. Trata-se de uma simulação econômica, e não de uma previsão confirmada de reajuste.

O preço final nos postos depende de outros componentes, como tributos, mistura de biodiesel, custos de distribuição e revenda e despesas logísticas. Por isso, uma eventual mudança no valor cobrado pela Petrobras não é necessariamente repassada integralmente ao consumidor, e o impacto pode variar conforme a região e as condições do mercado.

A preocupação com o diesel tem reflexos diretos no agronegócio, já que o combustível é essencial para diversas atividades no campo, incluindo preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte da produção. Uma eventual alta também pode encarecer o deslocamento de fertilizantes, defensivos agrícolas, rações, animais e grãos, pressionando os custos operacionais das propriedades rurais.

O impacto pode ser significativo dependendo do volume consumido. Em uma propriedade que utiliza 5 mil litros de diesel, por exemplo, cada R$ 1 de aumento por litro representa R$ 5 mil a mais em despesas, considerando o mesmo volume de consumo. Essa conta considera apenas o combustível e não inclui possíveis aumentos no frete e nos preços dos insumos utilizados na produção.

Na agricultura, o encarecimento do transporte pode elevar as despesas para levar insumos até as propriedades e escoar a safra para armazéns, indústrias e portos. Na pecuária, os custos logísticos também influenciam o transporte de bovinos, leite e alimentos destinados aos rebanhos. Dependendo das condições de negociação, essas despesas adicionais podem reduzir as margens dos produtores e pressionar os preços ao longo da cadeia produtiva.

Um dos fatores acompanhados pelo mercado é a continuidade das subvenções concedidas pelo governo federal para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo e contribuir para o abastecimento nacional. Entre as medidas mencionadas na análise está uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel rodoviário importado, anunciada em outubro, inicialmente por 30 dias. A continuidade dos incentivos, assim como o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar e a disponibilidade de combustível importado, pode influenciar as condições de comercialização no país.

O Goldman Sachs também avaliou um cenário mais extremo, considerando a retirada de todos os subsídios ao diesel. Nessa hipótese, o preço nas bombas poderia subir cerca de R$ 1,80 por litro, alcançando a faixa de R$ 9 a R$ 10. Esse cálculo representa uma simulação de risco, e não um preço anunciado ou uma previsão confirmada de que o combustível chegará a esse patamar.

A análise também apontou possíveis efeitos sobre a inflação brasileira. No cenário de alta de 50% no preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras, o impacto direto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderia ficar entre 0,05 e 0,06 ponto percentual. Considerando os efeitos indiretos, principalmente relacionados ao transporte de cargas e à circulação de mercadorias, a estimativa chegaria a um impacto de 0,21 a 0,24 ponto percentual. Os números dependem da dimensão de um eventual reajuste e do repasse efetivo aos consumidores e aos demais setores da economia.

Diante desse cenário, também surgiram especulações sobre uma possível relação entre o resultado das eleições presidenciais e a alta dos preços dos combustíveis. Essa associação, porém, exige cautela. O estudo do Goldman Sachs foi divulgado antes do segundo turno das eleições e fundamentou o risco de reajuste em fatores econômicos, como a diferença entre os preços internos e as referências internacionais, além das incertezas sobre a continuidade dos subsídios. O material analisado não comprova que o resultado eleitoral seja a causa de uma eventual alta do diesel.

Embora o período eleitoral possa influenciar as expectativas do mercado e as decisões econômicas, não é possível atribuir automaticamente uma mudança nos preços ao resultado das urnas sem evidências que sustentem essa relação. A evolução do valor do combustível depende de diferentes fatores, incluindo as condições internacionais, o câmbio, as políticas de subsídio e eventuais decisões de preços da Petrobras.

Até o momento retratado na análise, não havia anúncio de reajuste de 50% pela estatal. Para os produtores rurais e demais consumidores, a recomendação é acompanhar os comunicados oficiais, a evolução dos preços nas distribuidoras e nos postos e as decisões sobre os incentivos governamentais. Por enquanto, o alerta do Goldman Sachs representa um cenário de risco, e não a confirmação de que o diesel ficará mais caro ou de que os preços estejam subindo em consequência direta do resultado das eleições.

Redação: Hedianne Dutra via Compre Rural para Liberdade FM

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