Crime organizado avança sobre o agronegócio e ameaça a segurança das exportações brasileiras
Estudo do Insper aponta atuação criminosa em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo insumos agrícolas, pecuária, transporte e operações financeiras
O crime organizado tem ampliado sua atuação sobre diferentes etapas do agronegócio brasileiro, indo além de furtos de gado, máquinas e cargas. Um estudo do Insper Agro Global alerta para práticas como fraudes documentais, adulteração de insumos, desvio de mercadorias e lavagem de dinheiro.
Em Mato Grosso, uma operação realizada em agosto de 2026 identificou aproximadamente 217 toneladas de fertilizantes adulterados, avaliadas em R$ 645 mil. Outro caso investigado pela Polícia Civil apurou dez carregamentos irregulares de soja retirados de uma propriedade rural entre janeiro e agosto deste ano.
Segundo o estudo, a extensão territorial do Brasil e a complexidade da logística agrícola facilitam a exploração de vulnerabilidades em propriedades, armazéns, rodovias e regiões de fronteira.
A pesquisa também alerta para possíveis impactos nas exportações. Caso sejam comprovadas ligações entre empresas do agronegócio e pessoas ou organizações submetidas a sanções internacionais, operações comerciais e financeiras poderão enfrentar restrições e questionamentos de compradores estrangeiros.
O levantamento não afirma que as exportações brasileiras já estejam comprometidas, nem apresenta um valor consolidado dos recursos movimentados pelo crime organizado no setor.
Entre as medidas recomendadas estão o reforço da fiscalização, a integração entre órgãos de segurança, o monitoramento financeiro e o aprimoramento da rastreabilidade de produtos e operações para proteger produtores e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Redação: Hedianne Dutra | Liberdade FM - Com informações do portal Compre Rural.



