Água Boa entrou para a história do heavy metal mundial com passagem do Sepultura pela regi
Em 1995, integrantes da formação clássica da banda estiveram na Aldeia Pimentel Barbosa, em uma experiência com o povo Xavante que ajudou a inspirar o álbum Roots, um dos trabalhos mais importantes da história do metal
A região de Água Boa, em Mato Grosso, guarda uma história que ultrapassa as fronteiras do município e alcança um dos maiores nomes do heavy metal mundial. Em novembro de 1995, integrantes da formação clássica do Sepultura viajaram até a Aldeia Pimentel Barbosa, território Xavante, para uma experiência cultural que teria influência direta em Roots, álbum lançado em 1996 e considerado um marco na trajetória da banda.
Na época, Max Cavalera, Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Xisto deixaram Belo Horizonte, onde o Sepultura foi formado, e embarcaram em pequenos aviões com destino à região. A viagem aconteceu no dia 4 de novembro de 1995 e tinha como objetivo aproximar os músicos da cultura indígena brasileira.
Com acompanhamento e intermediação de indigenistas, os integrantes permaneceram alguns dias junto aos Xavantes. Durante a experiência, participaram de atividades culturais, tiveram os corpos pintados de maneira tradicional e acompanharam rituais e danças da comunidade.
Um dos momentos mais marcantes foi a gravação de “Itsári”, palavra associada a “raízes” na língua Xavante. O registro foi realizado de forma acústica, em contato direto com a natureza e às margens do Rio das Mortes.
A faixa posteriormente integrou Roots e tornou-se um dos símbolos da proposta do álbum: aproximar o peso e a agressividade do metal produzido pelo Sepultura das sonoridades e tradições indígenas brasileiras.
Uma experiência que atravessou fronteiras
Lançado em 1996, Roots representou uma transformação na sonoridade do Sepultura e teve grande repercussão internacional. O trabalho ajudou a ampliar a presença do groove metal e influenciou uma nova geração de bandas, sendo apontado como referência para grupos como Korn, Deftones e Slipknot.
A experiência vivida pelos músicos no interior de Mato Grosso tornou-se parte fundamental da identidade do álbum. A combinação entre instrumentos pesados, percussão e elementos da cultura Xavante criou uma sonoridade inovadora para aquele período.
Mais do que uma passagem de uma banda internacional por uma comunidade indígena, a viagem representou um encontro entre duas manifestações culturais aparentemente distantes, mas que encontraram na música uma forma de conexão.
“Todo mundo devia vir aqui”
A importância da experiência também pode ser percebida nas declarações de Max Cavalera sobre a viagem. Ao falar sobre o contato com a região e com a cultura indígena, o vocalista demonstrou o impacto que aquele momento teve em sua visão de mundo.
“Ao invés de ir para a Disneylândia, todo mundo devia vir aqui, conhecer isso primeiro, para depois viajar para outros lugares.”
Décadas depois, a passagem do Sepultura pela região continua sendo lembrada como um capítulo singular da história cultural de Água Boa.
O município, conhecido principalmente pela força do agronegócio e por sua localização estratégica no Vale do Araguaia, também carrega uma conexão pouco conhecida por grande parte do público: parte da inspiração que ajudou a transformar Roots em um dos álbuns mais emblemáticos do heavy metal mundial nasceu em terras mato-grossenses, em contato com a cultura Xavante.
A história mostra como uma experiência ocorrida em uma aldeia do interior do Brasil foi capaz de atravessar continentes, influenciar músicos de diferentes gerações e deixar uma marca permanente na história da música pesada.
Redação: Victória Melo | Liberdade FM.



