Quatro pessoas são presas em operação contra golpes virtuais e lavagem de dinheiro em MT
Investigação aponta prejuízo superior a R$ 400 mil às vítimas; suspeitos podem responder por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa
Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (29), durante a segunda fase da Operação Rede Oculta, que investiga suspeitas de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. Entre os presos estão uma influenciadora digital e o marido dela. Um quinto investigado não foi localizado e é considerado foragido.
Segundo a Polícia Civil, foram cumpridas 20 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, incluindo mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de veículos. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, as vítimas eram abordadas pela internet, por meio de redes sociais e plataformas de compra e venda. Entre as modalidades identificadas estão anúncios falsos de veículos, golpes do falso parente e do falso funcionário de banco.
A polícia apurou que os valores transferidos via Pix eram distribuídos entre contas bancárias de terceiros, geralmente em quantias inferiores a R$ 10 mil, e posteriormente concentrados em uma das contas investigadas. Os recursos seriam utilizados na compra de veículos de alto valor e joias.
O prejuízo das vítimas já identificadas ultrapassa R$ 400 mil, conforme a investigação.
Ainda segundo a Polícia Civil, uma das mulheres presas seria responsável por coordenar um núcleo do grupo e recrutar pessoas para ceder contas bancárias. A apuração também aponta que um dos investigados continuava orientando a movimentação financeira mesmo após ter sido colocado em liberdade.
Durante a abordagem, foi encontrada uma pequena quantidade de droga com um dos suspeitos. A ocorrência resultou no registro de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por posse de entorpecente para consumo pessoal.
Penalidades previstas em lei
Os investigados foram indiciados por suspeita de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas dependem do enquadramento jurídico definitivo, das circunstâncias de cada conduta e de eventual reconhecimento de agravantes ou causas de aumento.
A fraude eletrônica, prevista no artigo 171, § 2º-A, do Código Penal, tem pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa, quando praticada mediante fraude eletrônica nos termos da lei.
A lavagem de dinheiro, prevista na Lei nº 9.613/1998, prevê reclusão de 3 a 10 anos e multa para quem oculta ou dissimula a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal.
Já o crime de integrar organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013, prevê reclusão de 3 a 8 anos e multa, sem prejuízo das penas correspondentes a outras infrações praticadas.
As penas não são automaticamente somadas em todos os casos: a aplicação depende da decisão judicial e das regras legais pertinentes. Os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Rede Oculta foi realizada em maio de 2024, com o cumprimento de 30 ordens judiciais contra 15 investigados em Cuiabá e Várzea Grande. Na ocasião, foram apreendidos bens e aparelhos celulares, incluindo um veículo avaliado em aproximadamente R$ 153 mil.
As investigações tiveram início em 2023, após denúncias anônimas. Segundo a Polícia Civil, a análise dos materiais apreendidos, de laudos periciais e de dados financeiros obtidos mediante autorização judicial contribuiu para o avanço das apurações e a identificação dos alvos da segunda fase.
O caso segue sob investigação, e a responsabilização criminal dos envolvidos dependerá do andamento do processo e da decisão da Justiça.
Redação: Vitória Alves | Liberdade FM.



