Violência psicológica contra mulheres cresce 70% em Mato Grosso e estado registra a segunda maior taxa do país

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta avanço expressivo dos casos em 2025 e alerta para o risco de escalada da violência doméstica

Mato Grosso registrou um aumento de 70,3% nos casos de violência psicológica contra mulheres em 2025, alcançando a segunda maior taxa do país, conforme dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O crescimento foi mais de quatro vezes superior ao índice nacional e reforça o alerta para a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção, proteção e combate à violência de gênero.

De acordo com o levantamento, o estado passou de 2.151 registros em 2024 para 3.720 ocorrências em 2025, um acréscimo de 1.569 casos em apenas um ano. Com isso, Mato Grosso atingiu a marca de 192,3 registros para cada 100 mil mulheres, ficando atrás apenas de Roraima, que apresentou a maior taxa do país.

A violência psicológica é considerada crime desde 2021 e caracteriza-se por condutas que causam sofrimento emocional, diminuem a autoestima ou buscam controlar as ações, decisões e a liberdade da vítima. Entre os comportamentos enquadrados nesse tipo de violência estão ameaças, humilhações, manipulação, isolamento, chantagens, perseguições e constrangimentos constantes.

Enquanto Mato Grosso apresentou crescimento de 70,3%, o aumento nacional foi de 16,9%, com o Brasil passando de 51.830 para 60.830 registros no mesmo período. Além de Mato Grosso e Roraima, Amazonas, Distrito Federal, Amapá e Santa Catarina também registraram taxas acima da média nacional.

O Anuário também revelou aumento expressivo nos casos de perseguição, conhecida como stalking. Em Mato Grosso, os registros passaram de 2.221 ocorrências em 2024 para 2.970 em 2025, representando um crescimento de 31,6%.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados demonstram que a violência psicológica e o stalking frequentemente fazem parte de uma escalada de violência doméstica que pode evoluir para agressões físicas e, em casos mais graves, para o feminicídio. A entidade destaca que um comportamento inicialmente marcado por ameaças pode avançar para perseguições, descumprimento de medidas protetivas e ataques cada vez mais graves, tornando essencial que os primeiros sinais sejam identificados e denunciados.

Um dos casos que ganhou repercussão em Mato Grosso nesta semana foi a condenação do professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, por perseguição em contexto de violência doméstica e de gênero. Conforme a decisão judicial, ele enviou repetidos e-mails à ex-companheira, insistiu em encontros presenciais e fez referências à rotina da vítima, provocando medo e abalo emocional. O professor foi condenado a 10 meses e 15 dias de prisão. A defesa informou que recorreu da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e sustenta que as mensagens tratavam apenas de assuntos relacionados aos filhos do casal.

Especialistas reforçam que qualquer forma de violência psicológica deve ser levada a sério e denunciada. As vítimas podem buscar ajuda por meio da Polícia Militar, Polícia Civil, Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher e pelo telefone 180, canal nacional de atendimento às mulheres em situação de violência, que oferece orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.

Redação: Hedianne Dutra | G1 | Liberdade FM

Comentários