Mato Grosso é apontado como base de apoio em rota internacional de drogas e armas

Investigação da Polícia Federal apura uso de aeronaves, pistas clandestinas e suporte terrestre; envolvidos podem responder por tráfico internacional, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Uma investigação da Polícia Federal aponta que Mato Grosso teria sido utilizado como uma das bases de apoio de uma organização criminosa suspeita de atuar no transporte internacional de drogas e armas.

O esquema é investigado no âmbito da Operação Bóreas e, segundo as apurações, envolveria o uso de aeronaves, pistas clandestinas e equipes de apoio terrestre para transportar cargas provenientes principalmente da Bolívia e do Peru para o território brasileiro.

As investigações indicam que a estrutura criminosa teria realizado diversas operações aéreas em um período de aproximadamente três meses. Após a entrada das cargas no Brasil, o grupo contaria com suporte em solo em estados como Mato Grosso, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

Um dos episódios que chamou a atenção das autoridades ocorreu em fevereiro de 2025, quando uma aeronave foi interceptada após pousar em uma pista rural no Tocantins. No avião, foram apreendidos cerca de 475 quilos de cocaína, além de uma pequena quantidade de outras substâncias entorpecentes.

A Polícia Federal também investiga a possível utilização da mesma estrutura para o transporte de armas e a prestação de serviços logísticos para diferentes organizações criminosas.

Em Mato Grosso, a apuração busca esclarecer qual era o grau de participação do Estado na logística do grupo. Informações sobre a localização de possíveis pistas clandestinas e o destino final das cargas ainda são investigadas.

A operação também identificou um possível núcleo financeiro responsável pela movimentação e ocultação de recursos que teriam origem nas atividades criminosas. Durante ações realizadas em Cuiabá, foram apreendidos dinheiro em espécie, joias, relógios, aparelhos eletrônicos e veículos.

Caso sejam comprovadas as acusações, os investigados poderão responder por diferentes crimes previstos na legislação brasileira.

O tráfico internacional de drogas, previsto na Lei de Drogas, pode resultar em pena de reclusão de cinco a 15 anos, com aumento de pena quando há transnacionalidade do crime.

Já o crime de organização criminosa pode levar a penas de três a oito anos de reclusão, além de multa.

Para os casos de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores provenientes de atividades criminosas, a legislação prevê pena de três a 10 anos de prisão e multa.

Dependendo da participação de cada investigado e das circunstâncias comprovadas durante o processo, as penas podem ser somadas, além da possibilidade de perda de bens, aeronaves, veículos e valores utilizados ou obtidos por meio das atividades criminosas.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a extensão da rota internacional e determinar o volume total de drogas e armas que teria sido movimentado pela organização.

Redação: Victória Melo | Liberdade FM.

Comentários