Advogado que virou réu por atropelar e matar pedestre em MT segue com inscrição ativa na OAB
Paulo Roberto Gomes dos Santos responde por homicídio com dolo eventual e já possui condenações por outros crimes graves
O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, que se tornou réu pela morte da pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, atropelada em janeiro deste ano em Várzea Grande, continua com inscrição ativa e regular no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), mantido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
De acordo com a OAB, o profissional foi afastado das atividades por 90 dias após o caso, medida que já foi cumprida. O órgão informou ainda que um processo disciplinar segue em andamento sob sigilo, sem prazo definido para conclusão.
A denúncia contra Paulo Roberto foi recebida nesta quinta-feira (18) pela 1ª Vara Criminal de Várzea Grande. Ele responderá por homicídio qualificado com dolo eventual — quando o autor assume o risco de causar a morte — além de infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Segundo a investigação da Polícia Civil, o advogado atropelou a idosa enquanto ela atravessava a Avenida da FEB. Imagens de câmeras de segurança apontam que a vítima estava próxima de concluir a travessia quando foi atingida pela caminhonete conduzida por ele. Após o impacto, ela foi arremessada para o outro lado da via e acabou sendo atingida por um segundo veículo.
Ainda conforme a polícia, Paulo Roberto deixou o local sem prestar socorro, sendo localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping da cidade. Durante as investigações, ele negou ter atropelado a vítima, alegando que ela teria colidido contra o veículo, versão contestada pelos investigadores.
Em nota, a defesa afirmou que irá demonstrar no processo que não houve intenção de matar, classificando o episódio como uma "lamentável fatalidade".
O advogado possui histórico de outras condenações. Conforme a Polícia Civil, ele foi condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do delegado Eduardo da Rocha Coelho. Após o crime, ocorrido em outro estado, ele fugiu e passou a viver em Mato Grosso utilizando identidade falsa.
Além disso, Paulo Roberto também foi condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, morta em 2004, no município de Juscimeira. O caso envolveu acusações de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsificação de documentos.
Com o recebimento da denúncia, o advogado passa oficialmente à condição de réu e terá prazo para apresentar defesa, indicar provas e arrolar testemunhas no processo.
Rádio Liberdade FM.



