Siameses do MT nascidos unidos pelo quadril desafiam medicina e passam por cuidados intensivos em Goiânia

Caso raríssimo envolve gêmeos isquiópagos trípodes; médicos afirmam que é um dos quadros mais complexos da especialidade, atrás apenas de siameses ligados pela cabeça


Assista a matéria completa sobre o caso, publicada no Jornal R7.

Os gêmeos siameses Marcos e Mateus, naturais do Mato Grosso, nasceram unidos pelo quadril em um caso considerado raro e de alta complexidade pela equipe médica que acompanhou o parto, realizado em Goiânia. Segundo o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, referência nacional nesse tipo de procedimento, a situação é uma das mais desafiadoras da especialidade, ficando atrás apenas dos casos em que os bebês nascem ligados pela cabeça.

A família percorreu cerca de 600 quilômetros, saindo de Canarana (MT) até a capital goiana, para garantir atendimento especializado no Hospital Estadual da Mulher (HEMU), onde o parto ocorreu na manhã da última terça-feira (6). Logo após o nascimento, os recém-nascidos foram encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde permanecem sob cuidados intensivos.

De acordo com a equipe médica, os irmãos nasceram unidos pelo tórax, abdômen e bacia. Eles possuem três pernas, compartilham a mesma genitália e apresentam uma anomalia anorretal, o que torna o quadro ainda mais delicado. O tipo de ligação é classificado como isquiópago trípode, uma condição extremamente rara entre gêmeos siameses.

“É o caso mais complexo da minha especialidade. Apenas os gêmeos unidos pela cabeça apresentam um nível maior de complexidade”, explicou o médico Zacharias Calil.


FOTO: DIVULGAÇÃO / HEMU

 

Nos próximos dias, Marcos e Mateus deverão passar por uma cirurgia de colostomia, necessária para garantir o funcionamento adequado do intestino. Após esse procedimento inicial, os bebês serão acompanhados e preparados para uma futura cirurgia de separação, prevista para ocorrer entre os oito meses e um ano de vida.

A médica Jéssica Alencar, que integrou a equipe do parto, destacou que o procedimento ocorreu dentro do esperado, apesar das particularidades do caso. Segundo ela, o preparo da mãe durante o pré-natal foi fundamental para que o momento transcorresse com tranquilidade.

Gêmeos isquiópagos se formam ainda nas primeiras semanas de gestação, quando o embrião não se separa completamente. A gravidade varia conforme o grau de união e os órgãos compartilhados, exigindo planejamento detalhado e acompanhamento multidisciplinar desde o nascimento.


Redação: Hedianne Alves - Liberdade FM
Supervisionado por Celso Blemer.