Deputadas de MT articulam CPI para investigar aumento nos casos de feminicídio

CUIABÁ – O crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso levou deputadas estaduais a se unirem para propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa (ALMT). A proposta já conta com as 13 assinaturas necessárias e deve ser votada no plenário nesta quarta-feira (27).

A iniciativa foi discutida em reunião entre as deputadas Edna Sampaio (PT), Janaina Riva (MDB) e Sheila Klener (PSDB), que ressaltaram a necessidade de ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

“Não é só caso de polícia”

Durante a coletiva, Edna Sampaio afirmou que o feminicídio deve ser entendido também como responsabilidade do Poder Público.

“O feminicídio é o indicador mais trágico da desigualdade de poder entre homens e mulheres. Esse crime não começa no momento do ato, mas desde a infância, com a forma diferenciada de educar homens e mulheres”, disse a parlamentar.

Rede de proteção fragilizada

A deputada Janaina Riva destacou a redução de recursos no orçamento estadual destinados à proteção da mulher e criticou a falta de prioridade do governo.

“Os números aumentaram não à toa. Estamos vendo investimentos em várias áreas, mas não na proteção das mulheres, que representam 52% da população”, afirmou.

Ela também relatou casos de mulheres que não foram acolhidas em delegacias, o que evidencia falhas na rede de proteção.

Já a deputada Sheila Klener chamou atenção para o impacto social do feminicídio.

“Tem mulheres morrendo e crianças ficando órfãs. Depois, quem vai sustentar essas famílias? Precisamos saber o que a política pública pode fazer para interromper essa violência”, disse.

Números em alta

Dados da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) mostram que, entre janeiro e agosto de 2025, 31 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. Em 2024, foram registradas 55 mortes, e em 2023, 46 casos.

Já o Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aponta que 35 mulheres foram mortas em 2025, sendo que cinco delas possuíam medidas protetivas contra os agressores.

O caso mais recente ocorreu em Sinop, onde a fonoaudióloga Ana Paula Abreu Carneiro, de 33 anos, foi morta a facadas pelo companheiro.

Primeira Página / Liberdade FM