Brasil paga R$ 1,16 trilhão em juros e dívida pública chega a 81,9% do PIB
Estudo apresentado durante evento da CNA aponta aumento da dívida, pressão das despesas obrigatórias e necessidade de maior controle dos gastos públicos
O governo brasileiro pagou R$ 1,16 trilhão em juros da dívida pública no acumulado de 12 meses até junho de 2026. O dado faz parte de um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e apresentado pela auditora do Tesouro Nacional, Selene Peres, durante o evento Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade.
O levantamento também chama atenção para o crescimento da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Em junho deste ano, a dívida chegou a R$ 10,8 trilhões, equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a projeção apresentada, caso o ritmo atual seja mantido, o indicador poderá alcançar 95,7% do PIB em 2030.
Historicamente, a dívida bruta brasileira oscilava entre 60% e 70% do PIB. O estudo aponta que o avanço da dívida ocorre mesmo diante do aumento da arrecadação. Em 2025, a carga tributária atingiu 34,35% do PIB, sendo 21,60% referentes à União.
Despesas obrigatórias pressionam as contas
Outro ponto destacado pelo levantamento é o peso das despesas obrigatórias no orçamento público. Em 2025, o governo federal gastou R$ 2,3 trilhões em despesas, sem considerar os encargos especiais.
A Previdência Social respondeu por 47,8% desse total, enquanto a Assistência Social representou 12,6%. Na sequência aparecem Saúde, com 10,4%; Educação, 8%; Trabalho, 5,2%; Defesa Nacional, 4,3%; e outras funções, que somaram 11,7%.
Para a CNA, o crescimento automático das despesas reduz o espaço disponível para investimentos e outras ações que dependem de decisão discricionária do governo.
Estudo aponta necessidade de melhorar gastos públicos
O levantamento também identifica problemas na aplicação dos recursos, como falta de avaliação dos resultados das políticas públicas, baixa integração entre os diferentes níveis de governo, execução insuficiente de investimentos e manutenção de recursos sem considerar os resultados obtidos.
Entre as medidas defendidas pela CNA estão a simplificação das regras de despesas, redução de exceções, criação de mecanismos mais eficazes para corrigir desvios e maior foco na sustentabilidade da dívida pública no médio prazo.
Durante a apresentação, Selene Peres destacou que a política fiscal tem impacto direto sobre o crescimento econômico e o bem-estar da população. Segundo ela, a responsabilidade fiscal é necessária para criar condições para uma redução sustentável dos juros, enquanto a melhoria da qualidade dos gastos e o aumento dos investimentos estruturantes podem estimular o setor privado e contribuir para o crescimento econômico.
“A Agenda Brasil precisa ser construída com medidas que conciliem responsabilidade fiscal e qualidade do gasto e precisamos expandir essa visão para toda população”, afirmou a auditora.
Redação: Hedianne Dutra | Brasil 61 | Liberdade FM



