Eleição presidencial de 2026 será a primeira do século sem mulheres em chapas competitivas
Cenário marca um retrocesso na representação feminina nas candidaturas ao Palácio do Planalto; partidos com representação no Congresso Nacional apresentam apenas chapas formadas por homens
A eleição presidencial de 2026 entrará para a história como a primeira disputa do século XXI em que os partidos com representação no Congresso Nacional não terão mulheres em suas chapas consideradas competitivas para a Presidência da República. O cenário representa uma mudança significativa em relação às eleições realizadas desde 2002, quando ao menos uma mulher participou da disputa como candidata ao Planalto ou como candidata à vice-presidência por legendas de expressão nacional.
O quadro foi consolidado após a definição das chapas presidenciais dos principais partidos. Entre os candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto e pertencem a siglas com representação no Congresso, todas as chapas são compostas exclusivamente por homens.
Ao todo, 13 candidaturas foram oficializadas para a eleição deste ano. As mulheres presentes na disputa integram chapas de partidos sem representação no Congresso Nacional, como UP, PCB, PSTU e Democracia Cristã. Isso significa que, embora haja candidatas mulheres registradas, nenhuma delas faz parte das chapas dos partidos considerados competitivos no cenário eleitoral nacional.
A ausência feminina nas principais candidaturas contrasta com as eleições anteriores. Em 2022, por exemplo, Simone Tebet foi candidata à Presidência pelo MDB, Soraya Thronicke disputou o Planalto pelo União Brasil e Ana Paula Matos integrou a chapa de Ciro Gomes como candidata à vice-presidência. Em 2018, Marina Silva concorreu à Presidência pela Rede, enquanto Manuela D’Ávila, Kátia Abreu, Ana Amélia Lemos e Sonia Guajajara participaram da disputa como candidatas a vice em partidos com representação parlamentar.
O período entre 2010 e 2014 também foi marcado pela forte presença feminina nas eleições presidenciais. Dilma Rousseff tornou-se, em 2010, a primeira e até hoje única mulher eleita presidente da República, sendo reeleita em 2014. Naquele ano, Marina Silva e Luciana Genro também disputaram a Presidência por partidos representados no Congresso.
Mesmo em eleições com menor participação feminina, como 2002 e 2006, ao menos uma chapa de partido competitivo contava com uma mulher. Em 2002, Rita Camarata foi candidata à vice-presidência na chapa de José Serra (PSDB). Em 2006, Heloísa Helena concorreu à Presidência pelo PSOL.
Especialistas em participação política feminina avaliam que o cenário de 2026 evidencia os desafios persistentes para a ocupação de espaços de poder pelas mulheres na política brasileira. Apesar de avanços nas últimas décadas, especialmente com a criação de cotas de gênero para candidaturas proporcionais, a disputa pelo cargo mais alto do Executivo nacional continua marcada por forte predominância masculina.
A eleição de 2026, portanto, representa um ponto de inflexão no debate sobre representatividade de gênero na política brasileira, reacendendo discussões sobre os obstáculos enfrentados pelas mulheres para alcançar posições de liderança nas principais estruturas partidárias do país.
Redação: Hedianne Dutra | CNN BRASIL | Liberdade FM



