Golpe do falso advogado já causou mais de R$ 400 mil em prejuízos em Água Boa e acende alerta das autoridades

Criminosos usam dados reais de processos para enganar vítimas e exigir pagamentos via Pix; polícia alerta para prevenção e medidas imediatas


O golpe do falso advogado tem feito um número crescente de vítimas em Água Boa e já causou um prejuízo superior a R$ 400 mil apenas nesta semana, segundo informações repassadas pelas forças de segurança. A prática criminosa, considerada sofisticada, utiliza dados reais de processos judiciais para enganar cidadãos e induzi-los a realizar transferências financeiras.

De acordo com o delegado de polícia Bruno Gomes, os criminosos acessam informações públicas disponíveis em tribunais, como número do processo, nome das partes e até valores envolvidos. Com esses dados em mãos, entram em contato com as vítimas por meio de ligações ou aplicativos de mensagens, principalmente o WhatsApp, se passando por advogados ou representantes de escritórios jurídicos.

Durante a abordagem, os golpistas informam que a vítima possui um valor a receber na Justiça e que a liberação do dinheiro depende do pagamento imediato de taxas, custas processuais ou impostos. Para dar ainda mais credibilidade, enviam documentos falsificados com logotipos de tribunais e escritórios.

A estratégia inclui forte pressão psicológica, criando um senso de urgência para que a vítima realize rapidamente o pagamento, geralmente via Pix para contas de terceiros. Em alguns casos, links maliciosos também são enviados, permitindo o acesso indevido às contas bancárias das vítimas.

 

A Polícia Civil reforça algumas medidas essenciais para evitar cair nesse tipo de golpe:

  • • Desconfie de contatos inesperados, especialmente quando envolvem dinheiro

  • • Advogados não solicitam pagamentos urgentes via Pix para liberação de valores judiciais

  • • Nunca clique em links enviados por desconhecidos

  • • Confirme qualquer informação diretamente com seu advogado, por meio de contatos oficiais

  • • Evite compartilhar dados pessoais ou bancários

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Caso a vítima perceba que foi enganada, é fundamental agir com rapidez:

  • Acionar imediatamente o banco e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponível nos aplicativos bancários

  • Registrar um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia virtual

  • Informar todos os dados da transação para auxiliar nas investigações

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Segundo a polícia, a agilidade é crucial, pois os criminosos costumam transferir os valores rapidamente para diversas contas, dificultando a recuperação do dinheiro.

As investigações desse tipo de crime são complexas e podem envolver criminosos atuando em outros estados ou até fora do país. Apesar disso, a identificação dos autores tem avançado com o uso de tecnologia. O maior desafio, no entanto, ainda é a recuperação dos valores desviados, já que o dinheiro é rapidamente pulverizado em várias contas.

 

Os envolvidos nesse tipo de crime podem responder por diversos delitos previstos no Código Penal Brasileiro, como:

  • • Estelionato (art. 171): pena de 1 a 5 anos de reclusão e multa

  • • Falsidade ideológica (art. 299): pena de 1 a 5 anos de reclusão

  • • Uso de documento falso (art. 304): pena de 2 a 6 anos de reclusão

  • • Associação criminosa (art. 288): pena de 1 a 3 anos de reclusão

Dependendo do caso, as penas podem ser aumentadas, especialmente quando o crime é praticado por meio eletrônico ou atinge múltiplas vítimas.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (PJC/MT)

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