Alta do diesel acende alerta no agro e pode pressionar preço dos alimentos em Mato Grosso
Combustível subiu cerca de R$ 1 por litro nas últimas semanas e já impacta frete, produção agrícola e logística no estado
O aumento recente no preço do diesel já começa a preocupar produtores, transportadores e o setor industrial em Mato Grosso. Nas últimas duas semanas, o combustível registrou alta de aproximadamente R$ 1 por litro, enquanto a gasolina também teve aumento médio de R$ 0,60, movimento que acompanha a instabilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
De acordo com dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log, o diesel S-10 teve alta de 7,72% na primeira semana de março, chegando à média nacional de R$ 6,70 por litro. Já o diesel comum subiu 6,10%, alcançando R$ 6,61. Em Mato Grosso, porém, os valores podem ser ainda maiores, chegando a R$ 9,99 o litro em algumas regiões do interior, segundo levantamentos baseados em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), Claudyson Martins Alves, conhecido como Kaká, explica que parte dessa alta está ligada à dependência brasileira de combustível importado.
Segundo ele, cerca de 27% do diesel consumido no Brasil vem do exterior, o que torna o mercado interno mais sensível às oscilações do preço do petróleo no cenário internacional.
“Quando o barril sobe no mercado global, o reflexo tende a aparecer rapidamente aqui, principalmente por causa do diesel importado. Algumas distribuidoras acabam antecipando reajustes”, explicou.
Impacto direto no agronegócio
O diesel é considerado um insumo essencial para o agronegócio. É ele que movimenta tratores, colheitadeiras e caminhões responsáveis pelo transporte de insumos e pelo escoamento da produção agrícola.
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, qualquer variação no combustível gera preocupação. O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Sílvio Rangel, destaca que crises internacionais podem afetar diretamente a economia local.
“Situações de guerra ou tensões em regiões produtoras de petróleo impactam toda a economia mundial. Isso chega ao Brasil e atinge também Mato Grosso, principalmente na logística e na compra de insumos como fertilizantes”, afirmou.
O transporte rodoviário ainda domina a logística do estado, o que aumenta a dependência do diesel.
“A maior parte da nossa produção ainda depende de caminhões. Quando o combustível sobe, o frete aumenta e isso acaba refletindo no custo final dos produtos”, explicou.
Reflexo no preço dos alimentos
Especialistas alertam que o aumento do diesel pode se espalhar por toda a cadeia produtiva. O consultor financeiro Giancarllo Vasconcelos explica que a alta do combustível tende a elevar custos de produção e transporte.
“Isso impacta o frete, o escoamento da produção agrícola e o custo de produtos como soja e milho. No fim da cadeia, esses custos podem chegar ao consumidor”, afirmou.
Na prática, isso significa que o aumento do diesel pode pressionar o preço de alimentos, medicamentos e diversos produtos essenciais, contribuindo para a alta da inflação.
Corrida aos postos
Outro efeito da instabilidade nos preços foi a corrida de consumidores e empresas aos postos para estocar combustível, o que elevou temporariamente a demanda em algumas regiões.
Segundo o Sindipetróleo, distribuidoras que vendiam cerca de 100 metros cúbicos de diesel por dia chegaram a triplicar esse volume em determinados momentos.
A expectativa do setor, porém, é que o mercado se estabilize nos próximos dias, à medida que a procura diminua e o cenário internacional fique mais claro.
Dependência externa preocupa
Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda não é autossuficiente em diesel e depende da importação de parte do combustível consumido. Essa dependência torna o país mais vulnerável a crises geopolíticas e oscilações no mercado global.
Entidades do agronegócio defendem que o país amplie o uso de biocombustíveis, como o biodiesel, produzido principalmente a partir da soja, para reduzir a dependência externa e aumentar a segurança energética.
Enquanto o cenário internacional segue incerto, produtores e especialistas acompanham com atenção a evolução dos preços, temendo que a alta do diesel continue pressionando fretes, produção agrícola e o preço dos alimentos no Brasil.
Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM



