Tolerância Zero contra Facções Criminosas: Polícia Civil intensifica operações e prende integrantes em várias regiões de MT

Ações simultâneas em Cuiabá, Várzea Grande, São José do Xingu, Sinop e Guarantã do Norte miram tráfico, homicídios, comércio ilegal de armas e atuação criminosa no ambiente digital

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta semana, uma série de operações integradas dentro da estratégia estadual de enfrentamento às facções criminosas, reforçando o programa Tolerância Zero, que integra a Operação Pharus no planejamento estratégico de 2026.


Entre os destaques está a Operação Tartufo, coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), que cumpriu três mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Cuiabá e Várzea Grande. A investigação, iniciada em 2023, identificou um grupo envolvido no comércio ilegal de armas de fogo e na introdução clandestina de celulares na Penitenciária Central do Estado e na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto.

As apurações apontaram que o principal alvo coordenava a venda de pistolas e espingardas, além da logística para envio de aparelhos celulares ao sistema prisional, inclusive com o uso de drone não registrado, equipado com dispositivo de garra, que realizou dezenas de voos sobre as unidades prisionais. A operação contou com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE).




Já no município de São José do Xingu, a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da Operação Midnight, cumprindo 14 ordens judiciais contra integrantes de facção criminosa investigados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. O caso envolve a morte de Marcos José Vieira Lima, conhecido como “Borel”, que teria sido submetido a tortura durante um chamado “tribunal do crime” antes de ser executado. O corpo da vítima ainda não foi localizado.

As investigações também revelaram que membros da facção promoviam ações assistenciais, como distribuição de cestas básicas, com o objetivo de fortalecer a organização criminosa na região e ampliar sua base de apoio.

Em Sinop, a Polícia Civil prendeu preventivamente um homem investigado por fazer apologia a facção criminosa e intimidar autoridades públicas por meio de redes sociais, durante transmissões ao vivo em canais oficiais do Estado. Durante a abordagem, ele também foi autuado em flagrante por tráfico de drogas.

Em Guarantã do Norte, outra ação resultou na prisão de um jovem de 19 anos suspeito de comandar ponto de venda de entorpecentes. A investigação identificou movimentação típica do tráfico, com apreensão de drogas fracionadas, materiais para embalagem e aparelho celular utilizado na comercialização.

As operações reforçam o enfrentamento qualificado ao crime organizado, com uso de inteligência, tecnologia, análise de dados e integração entre unidades especializadas. Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento financeiro das organizações criminosas.


Punições previstas em lei

Os investigados podem responder por diversos crimes, conforme a legislação brasileira:

  • • Comércio ilegal de arma de fogo (art. 17 da Lei nº 10.826/2003 – Estatuto do Desarmamento): reclusão de 4 a 8 anos e multa.

  • • Introdução clandestina de aparelho telefônico em estabelecimento prisional (art. 349-A do Código Penal): detenção de 3 meses a 1 ano.

  • • Organização criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013): reclusão de 3 a 8 anos, além de multa, podendo ser agravada conforme o caso.

  • • Homicídio qualificado (art. 121, §2º, do Código Penal): pena de 12 a 30 anos de reclusão.

  • • Ocultação de cadáver (art. 211 do Código Penal): reclusão de 1 a 3 anos e multa.

  • • Tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006): reclusão de 5 a 15 anos e pagamento de multa.

  • • Apologia ao crime (art. 287 do Código Penal): detenção de 3 a 6 meses ou multa, podendo haver enquadramento também em outros crimes correlatos, conforme a conduta.

A Polícia Civil reforça que as ações fazem parte de uma política permanente de combate às facções criminosas, com foco na desarticulação estrutural dos grupos e na responsabilização penal de seus integrantes.

Redação: Hedianne Alves
Liberdade FM (PJC/MT)

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