MT registra mais de 100 denúncias de trabalho infantil em 2025; estado tem 5ª maior taxa do país



O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou 111 procedimentos relacionados ao trabalho infantil em Mato Grosso ao longo de 2025. Os dados reforçam um cenário preocupante no estado, que já aparece entre os cinco com maior taxa proporcional de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil. A capital Cuiabá concentrou o maior número de registros, com mais de 40 casos formalizados no último ano.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país contabilizou 1,6 milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil no levantamento mais recente. Em Mato Grosso, 45.711 pessoas nessa faixa etária estavam trabalhando em 2024, o que corresponde a 6,5% do total de 707.535 crianças e adolescentes no estado. Com esse índice, Mato Grosso ocupa a 5ª maior taxa do país.

Os registros de trabalho infantil foram protocolados em diferentes municípios mato-grossenses, com destaque também para Barra do Garças, que contabilizou 27 casos, além de Rondonópolis, Sinop e Alta Floresta. Entre as atividades identificadas estão funções consideradas de risco e enquadradas como “outras piores formas de trabalho infantil”, conforme a Lista TIP, que reúne 93 atividades prejudiciais à saúde, à segurança e à moralidade de crianças e adolescentes.

Em Mato Grosso, foram registradas ocorrências em setores como agricultura, pecuária e exploração florestal, atividades com inflamáveis e explosivos, oficinas mecânicas, venda de bebidas alcoólicas, contratação de menores como cabos eleitorais, construção civil, trabalhos em silos, manutenção com solventes e óleo diesel, além de funções como vaqueiro, tratorista e ajudante de marceneiro.

O cenário apresenta crescimento em comparação aos anos anteriores. Em 2023, o estado havia registrado 45.502 casos de trabalho infantil, sendo 17.218 enquadrados nas piores formas previstas na Lista TIP. Já em 2024, o número de crianças e adolescentes submetidos às atividades consideradas mais graves subiu para 17.576, um aumento de 309 registros, equivalente a alta de 2,1%.

Especialistas alertam para os impactos profundos do trabalho infantil na formação física, emocional e social de crianças e adolescentes. Segundo o psicólogo infantil Rodrigo Brito, a exposição precoce ao trabalho coloca menores em situação de vulnerabilidade extrema, aumentando os riscos de acidentes, doenças e prejuízos psicológicos.

Entre as consequências estão distúrbios de sono, irritabilidade, problemas respiratórios, ansiedade, depressão, isolamento social e dificuldades de aprendizagem. Ele reforça que o trabalho precoce compromete o direito à educação e ao desenvolvimento integral, lembrando que o ambiente escolar é essencial para a proteção e a construção de vínculos sociais.

O combate ao trabalho infantil depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade. Denúncias podem ser feitas de forma anônima aos órgãos competentes, contribuindo para a identificação dos casos e a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

 

Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM (G1/MT)

Comentários