Vale do Araguaia se consolida como nova fronteira de valorização rural no Brasil
Municípios da região figuram entre os mais buscados do país e acompanham ciclo nacional de alta de 28% no preço do hectare, segundo dados oficiais
O Vale do Araguaia reforça, em 2025, sua posição como uma das regiões mais promissoras para investimentos em terras rurais no Brasil. Municípios estratégicos do eixo Araguaia aparecem entre os 20 mais buscados do ranking nacional da plataforma Chãozão, especializada na comercialização de imóveis rurais, evidenciando o crescimento consistente da região.
Entre os destaques está Cocalinho (MT), que lidera o ranking nacional de procura por propriedades rurais, com valor médio de R$ 15.247,19 por hectare, conforme o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH). Logo abaixo, em segundo lugar se encontra Paranatinga (MT), dentre as cidades de MT também aparecem na lista Confresa, São Félix do Araguaia, Barra do Garças e Primavera do Leste, reforçando o protagonismo da região no cenário do agronegócio.

O levantamento aponta que áreas com aptidão para lavoura representaram 36% das buscas em 2025, enquanto propriedades voltadas à pecuária somaram 32%, refletindo a força produtiva regional e o avanço da integração lavoura-pecuária.
Valorização nacional reforça tendência regional
O movimento observado no Vale do Araguaia acompanha um cenário mais amplo de valorização no mercado de terras rurais brasileiro. Conforme o Atlas do Mercado de Terras 2025, elaborado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o preço médio do hectare no país registrou alta de 28,36% entre 2022 e 2024 — um dos ciclos mais consistentes de crescimento dos últimos anos.
Segundo o Incra, o valor médio nacional do hectare está em torno de R$ 22.951,94, com grande variação regional, podendo alcançar cifras significativamente superiores em áreas consolidadas. A região Sul, inclusive, aparece entre as que apresentam maior patamar de valorização.
O diretor-executivo da consultoria R-Torsiano, Richard Torsiano, avalia que a alta é impulsionada por fatores “dentro e fora da porteira”. Entre eles estão o aumento da produtividade agropecuária, investimentos em tecnologia e modernização das propriedades, além de melhorias em infraestrutura e logística. Também contribuem fatores econômicos e financeiros, como a busca por terras como ativo seguro e a estruturação de holdings e modelos de “pejotização” no agronegócio.
O Atlas é considerado um dos principais referenciais públicos do setor, reunindo dados nacionais sobre preços, uso do solo e tendências de mercado, servindo como base para avaliações e negociações em todo o país.
Araguaia em ascensão
Nesse contexto de valorização nacional, o Vale do Araguaia se destaca como nova fronteira estratégica. A combinação de disponibilidade de áreas produtivas, expansão da fronteira agrícola, fortalecimento da pecuária de corte e avanço da infraestrutura regional tem atraído investidores atentos ao potencial de médio e longo prazo.
Com municípios posicionados entre os mais procurados do Brasil e inseridos em um mercado nacional aquecido, o Araguaia consolida-se como polo emergente de valorização rural, refletindo a força do agronegócio mato-grossense e a interiorização dos investimentos no país.

Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM (Globo Rural)
