Chuvas desaceleram colheita da soja no Brasil e índice chega a 21%

Padrão “invernado” em Mato Grosso reduz ritmo dos trabalhos e preocupa produtores com qualidade dos grãos


Lucas Beber, presidente da Aprosoja, fala desafios climáticos na safra 2025/26

A colheita da safra 2025/26 de soja no Brasil perdeu ritmo na última semana e alcançou 21% da área cultivada até o dia 12 de fevereiro, segundo levantamento da AgRural. O avanço é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já atingiam 24%, embora ainda esteja acima dos 16% contabilizados na semana anterior.

A desaceleração está diretamente ligada às condições climáticas adversas, especialmente em Mato Grosso, principal estado produtor do país. O chamado padrão “invernado” — caracterizado por dias consecutivos de céu encoberto, alta umidade e poucas aberturas de sol — tem dificultado a entrada de máquinas nas lavouras e comprometido o andamento da colheita.

Além do atraso, o excesso de umidade começa a refletir na qualidade dos grãos, principalmente nas regiões norte e médio-norte do estado. Produtores relatam aumento de grãos ardidos, avariados e com umidade acima do ideal, o que pode gerar descontos na comercialização e elevar custos com secagem.

Enquanto o Centro-Oeste enfrenta excesso de chuva, o cenário é oposto no Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, a estiagem e o calor persistente preocupam produtores, que já calculam perdas de produtividade. Caso as precipitações sigam irregulares na segunda quinzena de fevereiro, os impactos podem se intensificar, afetando o potencial produtivo das lavouras em fase de enchimento de grãos.

O contraste climático entre as principais regiões produtoras evidencia o desafio logístico e produtivo da safra brasileira. A lentidão na colheita também pode influenciar o ritmo de embarques nos portos e pressionar prazos contratuais, especialmente em um momento estratégico para o escoamento da produção.

Apesar dos entraves, o Brasil mantém perspectiva de safra robusta, sustentada pela ampliação de área plantada e pelo bom desenvolvimento inicial das lavouras em diversos estados. No entanto, o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para confirmar o potencial produtivo e minimizar perdas tanto por excesso quanto por falta de chuvas.

Especialistas alertam que, em anos de maior instabilidade climática, o planejamento logístico e o manejo adequado da colheita tornam-se ainda mais essenciais para reduzir prejuízos e garantir competitividade ao agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM (Compre Rural)