Aliciação virtual: investigação iniciada em Alto Araguaia leva à prisão de suspeito
Caso envolvendo vítima da região reforça alerta sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes em redes sociais e jogos online
Denúncias de imagens de abuso sexual infantil crescem quase 20% em 2025, aponta SaferNet
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, neste sábado (14), um homem de 36 anos investigado por crimes sexuais contra crianças e adolescentes pela internet. A prisão foi realizada em Crateús, com apoio da Polícia Civil do Ceará.
A investigação começou em abril de 2025, após uma criança de 11 anos, moradora de Alto Araguaia, publicar acidentalmente uma imagem íntima nas redes sociais. A avó da vítima procurou a delegacia ao descobrir conversas com o suspeito.
Segundo a polícia, o investigado criava perfis falsos para se aproximar de menores, exigia fotos e vídeos íntimos sob promessa de pagamento e, depois, ameaçava as vítimas.
Mandados de busca foram cumpridos em janeiro, com apreensão de celulares. A análise do material apontou mais de 50 vítimas em todo o Brasil.
O suspeito foi indiciado por armazenar e divulgar pornografia infantil e por induzir criança a se exibir de forma sexualmente explícita. As penas podem chegar a 13 anos de prisão, além de multa. A investigação continua para aprofundar a identificação de possíveis outras vítimas, eventuais conexões e consolidar provas técnicas.
A exposição cada vez mais precoce de crianças e adolescentes à internet acende um sinal de alerta para pais e responsáveis. Embora o ambiente digital ofereça oportunidades de aprendizado e interação, também se tornou um espaço utilizado por criminosos para a prática de aliciamento de menores.
O aliciamento ocorre quando adultos se passam por outras pessoas — muitas vezes fingindo ser adolescentes — para conquistar a confiança da vítima. Esse processo pode acontecer por meio de redes sociais, jogos online, aplicativos de mensagens e até plataformas de vídeos. Os criminosos utilizam elogios, promessas, presentes virtuais e até falsas histórias de amizade ou relacionamento para criar vínculo emocional e, aos poucos, isolar a criança ou adolescente da família.
Com o tempo, o contato evolui para pedidos de fotos íntimas, vídeos ou encontros presenciais. Em muitos casos, após conseguirem o material, os criminosos passam a ameaçar a vítima, configurando também o crime de extorsão sexual. O medo e a vergonha fazem com que muitos menores não contem aos pais, prolongando o sofrimento.
Entre os principais fatores de risco estão perfis públicos, exposição excessiva de informações pessoais, uso de redes sem supervisão e ausência de diálogo familiar sobre segurança digital. A falta de orientação sobre limites e privacidade facilita a ação dos predadores virtuais.
Especialistas reforçam que a prevenção começa dentro de casa. É fundamental que pais e responsáveis acompanhem as atividades online, conheçam as plataformas utilizadas pelos filhos, estabeleçam regras claras de uso da internet e, principalmente, mantenham um diálogo aberto e sem julgamentos. A criança precisa se sentir segura para relatar qualquer situação desconfortável.
Ao perceber sinais como mudança repentina de comportamento, isolamento, ansiedade ao usar o celular ou receio de mostrar conversas, é importante buscar orientação e comunicar imediatamente às autoridades policiais.
Proteger crianças e adolescentes no ambiente digital é uma responsabilidade coletiva. Informação, acompanhamento e diálogo são as principais ferramentas para evitar que a internet, que pode ser um espaço de aprendizado e conexão, se transforme em porta de entrada para crimes.
Redação: Hedianne Alves / Liberdade FM (PJC/MT)
