Lula assina decretos de desapropriação e reacende debate sobre reforma agrária no Brasil
Medida envolve sete fazendas em diferentes estados, fortalece aproximação com o MST e provoca reações no agronegócio, especialmente em Mato Grosso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos que autorizam a desapropriação de sete fazendas para fins de reforma agrária. A iniciativa integra um pacote de ações avaliado em R$ 2,7 bilhões e reforça a aproximação do governo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em pleno ano eleitoral.
As áreas contempladas estão distribuídas nos estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Segundo o governo federal, todos os imóveis foram classificados como improdutivos e o processo segue os critérios previstos na legislação. O Ministério do Desenvolvimento Agrário afirma que a medida busca dar função social à terra, "trazer paz ao campo", reduzir conflitos no campo e ampliar assentamentos.
A decisão, porém, gerou reação imediata do agronegócio e da bancada ruralista no Congresso. Representantes do setor veem o gesto como um aceno político ao MST e alertam para o risco de insegurança jurídica. O receio é que desapropriações desse tipo desestimulem investimentos e afetem a confiança no direito de propriedade rural.
Em Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional de grãos, a repercussão foi ainda mais forte. Mesmo que as áreas atingidas sejam consideradas improdutivas, produtores rurais temem que a iniciativa abra precedentes e crie um ambiente de incerteza para o setor. O estado é responsável por grande parte da produção brasileira de soja, milho, algodão e carne, e depende diretamente da estabilidade no campo para manter seu ritmo de crescimento.
No Vale do Araguaia, região com economia fortemente baseada no agronegócio, o tema é acompanhado com preocupação. Lideranças locais avaliam que qualquer instabilidade fundiária em Mato Grosso pode afetar crédito rural, novos investimentos e a geração de empregos.
Especialistas apontam que, se houver ampliação de políticas de desapropriação, o agronegócio brasileiro pode enfrentar retração de investimentos e perda de competitividade internacional. Para Mato Grosso, considerado o celeiro nacional, os impactos podem ser ainda maiores, com reflexos diretos na produção, na arrecadação e na economia regional.
O debate reforça um desafio central para o país: avançar na reforma agrária sem comprometer a segurança jurídica e a força do agronegócio, setor estratégico para a economia brasileira.
Redação: Hedianne Alves
Rádio Liberdade FM
