Volta às aulas com acolhimento: como lidar com o emocional de crianças e adolescentes
O início do ano letivo é um momento de expectativa, mas também pode gerar insegurança, ansiedade e resistência, especialmente entre crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Choro, dores de barriga ou de cabeça e apego excessivo aos responsáveis são reações comuns nas primeiras semanas.
Segundo a psicóloga escolar Iolanda Muniz, esses comportamentos fazem parte de um processo natural de adaptação. “Nas duas primeiras semanas, é esperado que as crianças apresentem dificuldades. É um período de construção de vínculo, no qual os alunos precisam se sentir vistos, acolhidos e protegidos para se adaptar ao novo ambiente”, explica.
Para tornar esse retorno mais leve, a escola deve iniciar o acolhimento já no primeiro contato com os alunos, unindo recepção afetiva, acompanhamento próximo e atividades planejadas para fortalecer o bem-estar emocional.
No Colégio Adventista do Centro América, em Cuiabá, a orientadora educacional Rhayssa Marques destaca que esse cuidado começa logo na entrada da escola, com o acolhimento dos alunos por monitores e educadoras. Nos primeiros dias, os pais também podem acompanhar os filhos até a sala, favorecendo uma transição mais tranquila.
Paralelamente, os estudantes participam de programações temáticas voltadas à construção da identidade, senso de pertencimento e fortalecimento emocional. “Sabemos que o retorno às aulas pode despertar medo e saudade da família. Por isso, esse período é planejado com intencionalidade. Atividades lúdicas, histórias, músicas e dinâmicas são adaptadas para cada faixa etária e tratam de temas como coragem, autoestima, valores e espiritualidade”, afirma Rhayssa.
Outro ponto fundamental nesse processo é o papel da família. A forma como os responsáveis reagem às queixas e inseguranças dos filhos pode influenciar diretamente na adaptação. “O ideal é ouvir, acolher o sentimento, mas transmitir segurança. Não é o momento de reforçar medos ou criticar a escola na frente da criança”, alerta Iolanda Muniz.
A psicóloga também orienta que despedidas longas e emocionais devem ser evitadas. O melhor caminho é combinar horários, reforçar que a criança está em um ambiente seguro e manter a palavra. Caso os sinais de insegurança persistam por mais de duas semanas, como choro constante, irritabilidade ou queixas físicas frequentes, é importante procurar ajuda, pois podem indicar um quadro de ansiedade.
No caso dos adolescentes, o acolhimento passa pelo diálogo, escuta ativa e valorização da autonomia. Já com os menores, presença, afeto e uma rotina clara são essenciais para uma adaptação segura e saudável.
