Forças de segurança intensificam combate ao narcotráfico em Mato Grosso

Apreensões recordes em 2024 refletem atuação integrada da Polícia Federal, Gefron e forças estaduais contra rotas internacionais de drogas

Mato Grosso consolidou-se em 2024 como o estado com maior volume de apreensões de cocaína na Amazônia Legal, com 23 toneladas retiradas de circulação. Embora os números revelem a força do narcotráfico na região, eles também evidenciam o trabalho contínuo e cada vez mais articulado das forças de segurança no enfrentamento às organizações criminosas que utilizam o território mato-grossense como corredor logístico.

Os dados constam do relatório Cartografias da Violência na Amazônia, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que aponta Mato Grosso e Amazonas como responsáveis por mais de 80% de toda a cocaína apreendida na Amazônia Legal em 2024. No caso mato-grossense, autoridades de segurança avaliam que a liderança nas apreensões é resultado direto do fortalecimento das ações de fiscalização, inteligência policial e operações integradas.

Atuação estratégica nas fronteiras Um dos principais focos do combate ao tráfico está na região de fronteira com a Bolívia, considerada porta de entrada de grandes carregamentos de cocaína no Brasil. Nessa área, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), em parceria com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e forças estaduais, tem intensificado barreiras, patrulhamentos e operações de monitoramento.

Segundo as forças de segurança, a combinação entre ações ostensivas e trabalho de inteligência permitiu identificar rotas alternativas usadas por traficantes, muitas delas em estradas vicinais e trechos pouco fiscalizados. A partir dessas informações, operações pontuais resultaram em apreensões expressivas e na prisão de suspeitos ligados a facções criminosas.

Rodovias sob vigilância constante Além da fronteira internacional, rodovias federais e estaduais que cortam Mato Grosso passaram a receber atenção especial. Corredores que ligam municípios como Cáceres, Pontes e Lacerda e Cuiabá a outras regiões do país são considerados estratégicos para o escoamento da droga.

A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar ampliaram abordagens, uso de cães farejadores e fiscalizações em pontos considerados críticos. De acordo com balanços das corporações, parte significativa das apreensões ocorreu durante essas ações de rotina reforçadas por inteligência prévia.

Combate também à maconha O esforço das forças policiais não se restringe à cocaína. Dados da Polícia Federal indicam que as apreensões de maconha em Mato Grosso saltaram de 2,3 toneladas em 2023 para 3,4 toneladas em 2024, um aumento de 48%. O crescimento é atribuído tanto à intensificação do tráfico quanto à maior eficiência das operações policiais.

Integração como eixo do enfrentamento Autoridades de segurança pública destacam que a integração entre diferentes órgãos tem sido determinante para os resultados alcançados. Operações conjuntas entre Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, PRF e Gefron permitem troca rápida de informações, planejamento estratégico e resposta mais ágil às movimentações do crime organizado.

Embora o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponte Mato Grosso como eixo central das rotas de drogas na Amazônia Legal, gestores da área avaliam que os números de apreensão também refletem a capacidade de reação do Estado frente ao avanço do narcotráfico.

Desafio permanente Para especialistas em segurança pública, os dados reforçam que o enfrentamento ao tráfico é um desafio permanente e em constante adaptação. As organizações criminosas mudam rotas e estratégias, exigindo atualização contínua das ações policiais.

Nesse cenário, a atuação das forças de segurança em Mato Grosso tem sido decisiva para reduzir o fluxo de drogas e enfraquecer a logística do crime organizado. Apesar da pressão crescente do narcotráfico, as apreensões recordes de 2024 sinalizam que o Estado não tem recuado e mantém o combate como prioridade.

Redação: Hedianne Alves

Rádio Liberdade FM