Brasil avança no mercado de carbono e mira rentabilidade e integração global
Regulamentação do SBCE até 2026 é vista como chave para atrair investimentos e fortalecer alianças com a União Europeia
O Brasil avança na consolidação do seu mercado regulado de carbono com a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado pela Lei nº 15.042/2024. A meta do governo é concluir todas as normas infralegais até dezembro de 2026, permitindo que o sistema comece a operar de forma efetiva.
Inspirado no modelo de cap and trade, o SBCE estabelecerá um teto de emissões para setores da economia e transformará esse limite em permissões negociáveis. Empresas que poluírem menos poderão vender créditos; as que ultrapassarem o teto terão de comprar permissões. Com isso, o carbono passa a ter preço e se torna um ativo econômico.
Além do efeito ambiental, o mercado é visto como oportunidade de rentabilidade. Na Europa, as licenças de emissão são negociadas em torno de US$ 80 a US$ 90 por tonelada. No Brasil, o mercado voluntário ainda opera entre US$ 10 e US$ 30 por tonelada, mas com expectativa de valorização após a regulamentação. Estimativas apontam que o mercado brasileiro pode movimentar até US$ 120 bilhões até 2030.
O amadurecimento do setor já aparece no Índice Carbono Eficiente (ICO2) da B3, que reúne empresas com melhor desempenho em emissões, indicando que parte do mercado corporativo já se antecipa às novas regras.
No cenário internacional, o Brasil busca integração com outros mercados regulados e participa da Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono. O país mantém cooperação com a União Europeia, que opera o maior mercado de carbono do mundo. A parceria envolve alinhamento de regras de mensuração, relato e verificação (MRV) e pode permitir, no futuro, interoperabilidade entre os sistemas.
A aproximação com a UE também é estratégica para evitar barreiras comerciais, como o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), e ampliar o reconhecimento internacional dos créditos brasileiros.
Mesmo com desafios regulatórios ainda em aberto, a sinalização é clara: o mercado de carbono deixa de ser apenas ambiental e passa a ser econômico. Se concluir a regulamentação em 2026, o Brasil pode se posicionar como um dos principais polos globais de créditos de carbono, unindo sustentabilidade, rentabilidade e acesso ao mercado europeu.
Redação: Hedianne Alves/Liberdade FM
