Baixa desigualdade não impede avanço das dívidas em Mato Grosso
Apesar de melhor equilíbrio de renda, estado lidera comprometimento financeiro das famílias, aponta ranking do CLP
Mato Grosso alcançou a 2ª colocação entre os estados com menor desigualdade de renda do Brasil, de acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados 2025, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Apesar do avanço nesse indicador social, o estado enfrenta um cenário preocupante: lidera o comprometimento de renda das famílias, ocupando a última posição no ranking que mede a relação entre dívidas bancárias e a renda total dos domicílios.
O contraste entre os dados revela que a renda mais equilibrada não tem se traduzido, necessariamente, em maior segurança financeira para a população. O índice de comprometimento aponta que grande parte das famílias mato-grossenses utiliza uma parcela significativa da renda para o pagamento de dívidas, o que limita o consumo e aumenta a vulnerabilidade econômica.
Para o professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Maurício Munhoz, os números evidenciam uma contradição estrutural. Segundo ele, estar entre os estados com menor desigualdade não significa ausência de pobreza ou de dificuldades financeiras.
“Dizer que Mato Grosso tem pouca desigualdade não quer dizer que não exista pobreza. Cerca de 20% das famílias do estado dependem do Bolsa Família e, em alguns municípios, esse percentual chega a 50%, o que demonstra uma forte desigualdade regional”, explicou o professor.
O levantamento do CLP considera diferentes indicadores socioeconômicos para avaliar a competitividade dos estados brasileiros. No caso de Mato Grosso, os dados indicam avanços na distribuição de renda, mas também expõem desafios relacionados ao endividamento das famílias e à dependência de programas sociais em determinadas regiões.
Especialistas avaliam que o cenário exige políticas públicas voltadas não apenas à geração de renda, mas também à educação financeira e ao desenvolvimento regional, para reduzir a dependência de crédito e ampliar a capacidade econômica da população no longo prazo.
Redação: Hedianne Alves, Liberdade FM.
